Comentário de JIM LONG sobre a PorkExpo

Visita ao Brasil - PorkExpo 2010

Na semana passada, estivemos na PorkExpo 2010, em Curitiba, Brasil.

Nossas Observações

Os preços do suíno do Brasil são lucrativos com o preço para abate em US$0,69 por libra, e o custo de produção US$ 0,60 por libra. Um grande produtor nos disse que está lucrando US$ 21 por cabeça. O Brasil é um dos principais países exportadores de carne de suíno.

O custo de alimentos é semelhante ao dos E.U.A. e aumentou cerca de 20% nos últimos dois meses, tal como o resto do mundo.

PorkExpo 2010 foi uma feira profissional e bem organizada. Houve uma extensa lista de palestrantes de vários países do mundo. Os stands eram grandes, com algumas empresas de destaque provavelmente gastando em torno de US$ 200 mil no espaço, montagem de stand, promoção, pessoal, hospitalidade e hotéis. Isso é um investimento pesado.

Na PorkExpo 2010, havia poucas empresas de equipamentos para suínos. Impostos sobre importação de equipamentos são cerca de 50% e, em seguida, há mais impostos internos. Algumas pessoas da indústria nos disseram que o equipamento importado para suínos acaba custando quase o dobro do preço de compra, quando todos os impostos e as tarifas são contabilizados.

Os altos impostos domésticos que incidem sobre equipamento são o motivo pelo qual muitos produtores fabricam seus próprios equipamentos: celas de gestação, baias de maternidade, etc.

Os produtores de suínos no Brasil estão enfrentando cada vez mais dificuldade para encontrar trabalhadores para suinocultura. Fomos informados que, em granjas de ciclo completo, os custos de mão de obra representam quase 15% dos custos totais de produção. Isto é muito semelhante à América do Norte. No futuro, o Brasil vai adotar cada vez mais automação nas granjas. Os altos impostos sobre equipamentos e tecnologia (quase 100%) fazem com que o retorno sobre o investimento vai ser mais lento. Com certeza isso é uma desvantagem para os produtores do Brasil.

No Brasil, o período anual de preços mais altos do suíno é em outubro-novembro, o oposto da situação na América do Norte que normalmente tem o menor preço anual no mesmo período. O efeito sazonal dos meses quentes do verão são totalmente o oposto no Hemisfério Norte (Estados Unidos) em comparação com o Hemisfério Sul (Brasil). Este é um fator positivo para os preços no mercado mundial de exportação. Nas próximas semanas, quando a oferta de suínos na América do Norte está aumentando sazonalmente, a do Brasil está diminuindo. A oferta baixa atual no Brasil é refletida nas histórias que ouvimos de suínos sendo comercializados com peso baixo, entre 80 e 90 kgs. Acreditamos que a menor oferta de suínos no Brasil apoiará preços nas próximas semanas, não somente no Brasil, mas também no resto do mundo, pois o Brasil terá menos carne suína para exportar.

Pelo que podemos observar, o Brasil não está expandindo seu plantel de matrizes ainda. Como os produtores norte-americanos, os brasileiros perderam dinheiro nos últimos dois anos. Ainda há muito para recuperar.

Notamos que não havia nenhuma empresa de construção de pavilhões para suínos na PorkExpo 2010.

Na PorkExpo, Agriness, uma empresa que oferece software para controle de granjas de suínos, premiou os melhores produtores no sistema, e também divulgou valores produtivos médios dos usuários do sistema.

A média apresentada pela Agriness de 25,42 leitões desmamados por porca/ano reflete o manejo intenso e capacitado dos produtores do Brasil. A baixa mortalidade pré-desmame de 8,68% é significativamente melhor do que a média da América do Norte de quase 12%. Muitos granjas de matrizes no Brasil têm pessoal 24 horas por dia nas salas de maternidade. Isso diminui natimortos e mortalidade pré-desmame.

De um ponto de vista pessoal, estamos muito animados com o potencial para a genética Genesus no Brasil. O potencial genético recorde dos animais da Genesus, juntado ao bom manejo no Brasil, vai elevar o índice de leitões desmamados/porca/ano acima de 33 num futuro próximo. Nossos principais concorrentes no Brasil são a Agroceres_PIC e a Danbred. Há outras empresas lá, mas não são competitivas.

O custo de alimentação no Brasil, como na América do Norte e no resto do mundo, aumentou dramaticamente nos últimos 60 dias. Isso vai retardar os planos de expansão na suinocultura. Na questão de grãos, é a primavera no Brasil (hemisfério sul) e com os preços dos grãos aumentando, eles esperam que o plantio de grãos seja o maior possível.

Resumo

O Brasil é, e continuará sendo, um dos principais concorrentes no mercado global de carne suína. Sua alta produtividade, grande área de terra e crescente produção de grãos, combinados com uma atitude de “podemos fazer”, criam uma combinação formidável.

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