Especialistas apontam soluções de marketing para a carne suína

A atividade da suinocultura não termina na porteira da fazenda. A afirmação é de Rubens Valentin, que coordenou os debates sobre ações de marketing e comportamento do consumidor no V Fórum Internacional de Suinocultura, que acontece durante a PorkExpo 2010.

O publicitário Washington Olivetto, responsável por algumas das campanhas mais marcantes do Brasil, foi um dos palestrantes deste painel. Para ele, a carne de porco é um produto rico para o universo da comunicação, já que possui muitas qualidades que podem ser exploradas. A partir de exemplos bem-sucedidos na Europa e nos Estados Unidos, o publicitário demonstrou como o consumo de carne suína pode ser incentivado a partir de uma campanha da categoria. Este tipo de ação, alerta Olivetto, deve ser contínua, pois atua na educação da população.

Atualmente, fatores como bem-estar anima, rastreabilidade e sustentabilidade são fatores importantes nas decisões de consumo, antes fortemente influenciadas pelos sinais visuais, afirmou o especialista britânico em consultoria de alimentos e agricultura, John Ratcliff. Ele aponta as marcas próprias das grandes redes varejistas como uma tendência. Esta já é uma realidade na Europa, enquanto que no Brasil é possível encontrar diversas marcas de carnes em uma mesma prateleira. Só no mercado britânico, as quatro maiores redes de supermercados são responsáveis pela venda de 70% da carne suína.

Ratcliff também explicou o sistema de certificações que funciona no Reino Unido, onde mais de 90% dos suínos já são certificados. Para exibir o selo de qualidade na embalagem do produto, toda a cadeia produtiva deve ser inspecionada e certificada.

O inglês Jonathan Banks, consultor e ex-diretor da Nielsen Business, falou sobre o comportamento do consumidor e suas mudanças. Ele citou, por exemplo, o aumento da classe média e a popularização de eletrodomésticos, como a geladeira, como importantes fatores que contribuíram para o aumento do consumo de carnes.

Banks vê o período de recessão como uma fase de crescimento de mercadorias baratas. Passado este momento, estas marcas tendem a declinar, pois as pessoas passam a priorizar os produtos que mais lhe agradam, valorizando aspectos como qualidade, valor nutricional e sabor.

Tendências apontadas por Banks, como compras online e em grandes redes varejistas, desafiam os fornecedores a agregar valor a suas marcas. “Não esperem que a recessão termine para investir em marketing; recessões são ótimas épocas para investir no futuro”, alertou o palestrante.

Para conquistar o consumidor, Jonathan Banks aposta nos seguintes aspectos: praticidade e conveniência, alimentos preocupados com a saúde e bem-estar, sabor, qualidade e ética dos fabricantes e varejistas.

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