Após curva ascendente, preço do suíno independente começa a cair

Nesta quinta-feira (19), depois de sucessivas altas, os preços do suíno vivo no mercado independente começaram a cair nas principais praças produtoras do país. A curva ascendente foi barrada, segundo lideranças no setor, por fatores como a alegação de frigoríficos na dificuldade em comercializar as carcaças e repassar o valor mais alto, saída de grandes frigoríficos das compras no mercado independente e a possibilidade de que os preços tenham atingido um teto. 

Na análise de Marcos Antonio Spricigo, suinocultor e proprietário de frigorífico em Santa Catarina, as indústrias preferem ficar paradas ao não conseguirem repassar os preços ao consumidor. “Inteligência das indústrias em aproveitar o momento para forçar baixas e recuperar as perdas do altos preços pagos sem o devido retorno nos meses anteriores. O produtor como sempre, nestas horas, reage com temor e aumenta a oferta, então este resto de mês vai ser complicado”.

Em São Paulo, segundo a Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS), a negociação entre frigoríficos e suinocultores nesta quinta-feira (19) resultou em recuo de preço, passando de R$ 9,87/kg para R$ 9,07/kg vivo.

Houve retração também no Paraná, informada pelo Laboratório de Pesquisas Econômicas em Suinocultura (Lapesui) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Considerando a média semanal (entre os dias 12/11/2020 a 18/11/2020), o indicador do preço do quilo do animal vivo teve queda de 1,72%, fechando a semana em R$ 9,26.

Minas Gerais também registrou recuo nesta semana, de R$ 9,50/kg para R$ 9,10/kg, sugerido pela Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg). Conforme explica o consultor de mercado da Associação, Alvimar Jalles, a sugestão de preço foi feita de modo a manter a equivalência com os preços de carcaça.

“No momento o mercado está se reorganizando a partir da possibilidade de ter encontrado o teto de preços. Sempre que há essa possibilidade do teto os “comportamentos” dos participantes do mercado costumam superar os “fundamentos”. 
Os fundamentos são que temos a menor quantidade de animais disponíveis nas granjas dos últimos 4 anos, desde que a plataforma foi criada, as exportações estão em ótimos volumes, e estamos em uma época de final de ano que favorece o consumo e as vendas. 
Se prevalecerão os fundamentos ou os comportamentos, só iremos descobrir algumas semanas à frente”.

O presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio de Lorenzi, explica que nesta quinta-feira (19), após negociação entre suinocultores e frigoríficos, o preço do animal vivo baixou, indo de R$ 9,73/kg para R$ 9,36/kg vivo. 

“Vemos esta queda com preocupação, porque os custos de produção, principalmente do milho e farelo de soja, continuam subindo. A avaliação é de que as indústrias anteciparam as compras de final de ano, as grandes indústrias saíram do mercado independente, e há dificuldade no repasse de valores ao consumidor, que por sua vez, retraiu o consumo”. 

A exceção ficou por conta do Rio Grande do Sul, onde os preços são negociados às sextas-feiras. Na última sexta (13), o preço do animal vivo passou de R$ 8,88/kg vivo para R$ 8,91/kg, segundo o presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), Valdeci Folador. 

“O aumento na última sexta foi dentro do esperado. Para esta sexta-feira (20), a perspectiva é de que, pelo menos, fique como está, ou seguindo a tendência dos demais Estados, tenha uma pequena baixa”, contou Folador. 

Fonte: Notícias Agrícolas

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