China: plantel de suínos cresce, mas produção deve cair 17% em 2020

Apesar de nas últimas semanas o Governo da China ter divulgado o crescimento do plantel de suínos no país pelo sétimo mês concecutivo em agosto, em 31%, e o de matrizes em 37% em 11 meses seguidos, isso não significa que deva haver aumento no volume de carne suína produzida, segundo o analista do setor de proteína animal do Rabobank, Wagner Yanaguizawa. 

Segundo ele, o banco estima uma queda de 17% no volume da proteína sunícola produzida em solo chinês até o fim de 2020; no ano apssado, o recuo na produção foi de 22%, conforme dados do Rabobank. 

Yanaguizawa explica que o recuo na produção de carne deve acontecer porque além de o plantel ainda estar menor do que o número de cabeças que havia no país antes do início da crise da Peste Suína Africana (PSA), em meados de 2018, muitas matrizes reprodutoras que haviam na China foram abatidas no ano passado. 

“Com isso, a China está tendo que importar matrizes, mas assim como há pouca disponibilidade de carne suína para importar, não há um grande número de matrizes. Então, as reprodutoras que estão indo para a China não têm alta qualidade, logo, não têm alta produtividade”, afirmou.

Apesar de o Governo da China divulgar números expressivos de recuperação do rebanho de suínos, segundo o analista o Rabobank começou a registrar aumento no plantel este ano apenas a partir do mês de junho; nos meses anteriores, não havia alta, segundo ele. “Nós projetamos que o aumeno do número de suínos na China em 2020 seja de 1% ou 2%, um incremento de 4 a 5 milhões de cabeças”, disse.

Apesar de 2020 ainda ser um ano em que a produção de carne suína pela China deva ter queda, Yanaguizawa afirma que a partir de 2021 até 2025, se estima que o gigante asiático passe a depender cada vez menos das importações da proteína sunícola. 

“Isso deve acontecer porque além de o plantel aumentar e as matrizes começarem a produzir mais, durante este período de escassez ou de encarecimento de carne suína no país muitos chineses se adaptaram ao consumo da carne de frango, e isso veio para ficar”, contou.

Sendo assim, na opinião do analista, o Brasil já deve começar a olhar para mercados como Filipinas, Vietinã, entre outros países do sudoeste da Ásia, que também estão sofrendo com a PSA, além de países em desenvolvimento para redirecionar as exportações.

Fonte: Notícias Agrícolas

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